Hospital da Caridade em Franca, SP — Foto Jefferson Severiano Neves EPTV

A reabertura do Hospital da Caridade de Franca passa por Audiência Pública que será realizada na sexta-feira, 4, na cidade de Franca, interior de SP. Famílias de mais de 800 pessoas com deficiência aguardam com apreensão e expectativa o retorno das atividades do Hospital da Caridade, na cidade de Franca, interior de São Paulo.

A suspensão das atividades do Hospital da Caridade no interior de SP ocorre num momento bastante delicado para a saúde pública dos francanos.

João Berbel é presidente do Conselho Deliberativo do IMA – Instituto de Medicina do Além, que abrange o Hospital da Caridade. Para ele “a suspensão das atividades ocorreu por questionamentos a partir de uma denúncia infundada e que não se sustenta, partindo de uma entidade obscura, haja vista decisões judiciais já conhecidas. Tivemos que fechar as portas do hospital e desativar a estrutura do nosso Centro de Reabilitação Fisioterápico, com capacidade para atender 800 pacientes com deficiência por semana. Vale ressaltar que este atendimento foi efetivado através de convênio com a Faculdade de Fisioterapia da Universidade de Franca – Unifran”.

De acordo com o que foi apurado pelo Diário PcD, outra justificativa para a suspensão das atividades foi em função do local onde estão as instalações que atendem parcela da população na região norte da cidade e pelo menos 800 pessoas com deficiência semanalmente.

A prefeitura alega que a instituição precisa estar enquadrada no zoneamento urbano local, já que, de acordo com as autoridades, o bairro onde está o Hospital da Caridade é residencial.

Fato que é contraditório, pois o Hospital, segundo João Berbel, em 2020 funcionou como Hospital de Campanha da Prefeitura Municipal de Franca, tendo atendido 230 pacientes diagnosticados com Covid-19 registrando dois óbitos, um dos menores índices não só do País, mas como do mundo todo.

Mas o caminho para que o hospital volte a atender a população é longo. Depois de audiências públicas, e se as autoridades forem convencidas de que a instituição merece ser liberada para atender mais de 800 famílias de pessoas com deficiência gratuitamente, dependerá de o Poder Executivo elaborar um Projeto de Lei, que será enviado para a Câmara Municipal. Depois de discutido e aprovado pelo legislativo francano, e, se aprovado, ficará a mercê da sanção ou veto do Prefeito Municipal.

A primeira audiência pública foi realizada no dia 26 de janeiro e muito conturbada, onde os organizadores não impediram até cenas de ‘sexo explicito’ durante a transmissão.

Agora parte da comunidade se organiza para participar – de forma presencial, da segunda audiência pública, que acontece na sexta-feira, 4, às 9h30, no Auditório da Secretaria Municipal de Educação, que fica na Av. Francisco de Paula Quintanilha Ribeiro, 550, Parque Francal.

O jornalismo do Diário PcD estará presente, e buscará informações de como o município vem oferecendo a assistência para todas as famílias que contavam com atendimento médico/ambulatorial e de reabilitação gratuitamente.

O questionamento das famílias que estão sem assistência é que, se o local serviu para o município como Hospital de Campanha, porque não deixar que a instituição permanecesse em funcionamento.

“Não consigo entender tudo isso. Quando a Prefeitura precisou, o local está apto para funcionar. Agora, que nós precisamos da instituição para atender as pessoas com deficiência, o senhor prefeito diz que não pode autorizar o funcionamento. Nós não temos outro lugar para levar nosso filho. Isso é um absurdo”, afirma Maria Tereza Silva, mãe de um garoto com deficiência física.

Além do atendimento às pessoas com deficiência, de acordo com a instituição, também existe a disponibilidade de leitos para atendimento médico, hospitalar e ambulatorial. O Hospital possui estrutura física com piscinas para hidroginástica e equipe profissional e equipamentos para fisioterapia.

O Poder Executivo, procurado pelo jornalismo do Diário PcD se mantem em silêncio.

A indignação da situação vivida em Franca beira o preconceito religioso, já que o Hospital da Caridade é mantido por apoiadores do Espiritismo.

“É um descaso. A irresponsabilidade, a falta de respeito e o desprezo manifestado pelos gestores públicos, por instituições obscuras como a ‘Observatório Social de Franca’ e grupo de intolerantes religiosos com o fechamento do Hospital da Caridade afeta diretamente a população mais carente que era assistida pela instituição. A ‘Tríade do Mal’, impulsionadora do luto e da dor imposta a milhares de famílias francanas, conseguiu duas proezas que certamente terão peso fundamental em denúncias que estão em andamento junto a foros nacionais e internacionais dos Direitos Humanos”, afirma em nota a Assessoria de Imprensa do Hospital da Caridade (Diário PcD, 2/3/22)