FOTO UTI COVID REUTERS

Levantamento inédito feito entre dezembro e fevereiro, no auge da onda causada pela variante ômicron, revela diferença de óbitos entre os dois grupos.

O número de óbitos por Covid-19 entre pessoas não vacinadas no estado de São Paulo foi 26 vezes maior do que entre as pessoas já plenamente imunizadas, revela levantamento inédito do governo paulista feito entre 5 de dezembro de 2021 e 26 de fevereiro de 2022 –período de explosão de casos da doença no Brasil por causa da variante ômicron.

ONDAS 2

O cruzamento de dados, feito a pedido da coluna, analisou 7.942 mortes inseridas pelos 645 municípios no sistema Sivep-Gripe nestes três meses.

ONDAS 3

O número de mortes no período entre os 716,8 mil paulistas que não foram vacinados chegou a 2.377. Ou seja, 332 por 100 mil habitantes.

ONDAS 4

Já entre os 38,3 milhões que completaram o ciclo vacinal e tomaram as duas doses–o equivalente a 88,5% da população do estado elegível para a vacinação–, os óbitos chegaram a 4.903. Ou seja, 13 mortos por 100 mil habitantes.

ONDAS 5

O grupo de 2,9 milhões de paulistas que receberam apenas uma dose da vacina também esteve mais vulnerável: foram 662 mortos com esquema parcial de imunização. Ou 22 para cada 100 mil habitantes.

MUITO CLARO

"É mais uma evidência da importância da vacinação", diz o secretário-executivo da Secretaria de Estado da Saúde, Eduardo Ribeiro Adriano. "As pessoas podem escolher entre estar no grupo mais protegido, amplamente majoritário entre os paulistas, ou naqueles mais vulneráveis", afirma.

DÁ TEMPO

"É também um alerta aos que ainda não tomaram a segunda dose da vacina: sempre é tempo de completar o seu esquema vacinal", segue.

O CERTO

"Mesmo com a circulação de uma variante mais transmissível, que é o caso da ômicron, os números comprovam que São Paulo fez a escolha certa em apostar na ciência e na vacinação como as principais medidas de enfrentamento da pandemia de Covid-19", destaca a coordenadora do Programa Estadual de Imunização (PEI), Regiane de Paula.

LINHAS CRUZADAS

A secretaria agora vai correlacionar os dados de todos os óbitos do período para levantar os fatores de risco agregados aos casos que resultaram em mortes –como comorbidades e idade muito avançada, por exemplo.

SALTO

No começo do ano, período de prevalência da circulação da ômicron, o número de casos diários de Covid-19 no estado passou de uma média de 2.000 para um pico de 14.542. As internações saltaram de uma média diária de 718, em janeiro, para 1.521 no auge da onda da doença; já a média de mortes saltou de 22 para 272. Em março, casos, hospitalizações e óbitos começaram a arrefecer (Mônica Bergamo, Folha de S.Paulo, 14/3/22)