Chico Xavier nos programas "Pinga Fogo" da extinta TV Tupi

A participação do médium Chico Xavier nos programas "Pinga Fogo" da extinta TV Tupi foram um marco que colocaram a doutrina espírita no protagonismo nacional e permitiram, pela primeira vez na história, mostrar e esclarecer os fundamentos e os princípios do espiritismo que tem no francês Allan Kardec seu precursor.

Coube ao repórter (é assim que gostava de se autodefinir) Saulo Gomes a tarefa de convencer Chico Xavier a participar do mais importante programa do telejornalismo brasileiro à época, o "Pinga Fogo". Em conversa com o também jornalista Ronaldo Knack, que o entrevistou para dois programas de TV produzidos com o intuito de resgatar a linha do tempo deste episódio, Saulo Gomes contou detalhes importantes sobre sua aproximação a Chico Xavier e como o convenceu a viajar de Uberaba a São Paulo para participar dos programas.

"Acabei desembarcando em Uberaba a mando de Assis Chateaubriand, à época o magnata das comunicações no País, que se sentia na obrigação de corrigir matérias de autoria do jornalista David Nasser publicadas na Revista O Cruzeiro. Estas matérias, financiadas por conhecida entidade que representava e ainda representa ala do catolicismo no Brasil (CNBB), tiveram como objetivo defenestrar a imagem de Chico Xavier e da doutrina espírita. Chateabriand se arrependeu de dar espaço e fazer o jogo da CNBB e me destacou para me aproximar de Chico e o convencer a participar do maior programa do telejornalismo da TV Tupi. A estratégia deu certo, Chico que relutou muito no início aceitou o meu convite e me acompanhou à São Paulo. Sua desenvoltura frente às câmeras, seu carisma e sua fé cristã acabaram mudando os rumos da doutrina espírita e colocaram o Brasil no protagonismo e País que reúne o maior número de seguidores da doutrina no mundo".

Seguem, abaixo, palavras de Saulo Gomes explicando a importância da participação de Chico Xavier nos dois programas "Pinga Fogo":

"Em 1971, convidei Chico Xavier para participar do programa Pinga-Fogo, um programa de entrevistas da TV Tupi de São Paulo, emissora onde eu trabalhava na época. Era um programa líder de audiência, cuja essência era “crivar” o entrevistado de perguntas elaboradas por competentes jornalistas.
Chico ficou um pouco receoso, mas aceitou.
A maior prova de confiança e amizade que o Chico me deu foi aceitar participar do programa.
Vinte e três horas e trinta minutos do dia 27 de julho de 1971, o programa entra no ar!
Na primeira fila estavam os convidados e as autoridades.
Na rua sobravam pessoas que queriam entrar no auditório superlotado.
Diante daquela situação, a TV Tupi mandou instalar televisores na parte externa do prédio. Nas imediações, as ruas precisaram ser interditadas.

Temos a informação do Ibope que a audiência já é grande, mesmo antes do programa começar.
Jornalistas competentes e convidados das mais variadas religiões estiveram presentes, sem contar a participação das pessoas do auditório e dos telespectadores.

Chico respondeu a todas as perguntas, segundo ele, sob a inspiração muito direta de Emmanuel que lhe “assoprava” aos ouvidos as respostas, em uma bela interação entre dois mundos!

O Pinga-Fogo com Chico Xavier foi um marco na história do espiritismo, que crescia com timidez e, depois desse primeiro programa, a doutrina espírita ganhou destaque e o justo respeito.
Não é exagero dizer que há esse divisor de águas – o antes e o depois do Pinga-Fogo, que, com o poder de penetração da televisão e do rádio (a rádio Tupi também transmitiu o programa), contagiou milhões de pessoas levando-lhes o autêntico representante do espiritismo, Chico Xavier.
Eu me senti realizado como profissional e, principalmente, como ser humano!
Como resultado do sucesso do programa, uma edição especial foi realizada em dezembro do mesmo ano".

Assista a primeira parte em:
https://www.youtube.com/watch?v=wsKvEK869tI

Assista a segunda parte em:
https://www.youtube.com/watch?v=qiljeWEWYSQ